
Sou resistente no que toca a abrir mão de determinadas coisas… afectos, princípios, conquistas profissionais…
Quando, por algum motivo, temos de lidar com facto de ter de abdicar de alguma coisa em que acreditamos acho que todos somos resistentes.
Recentemente tive de abdicar de um projecto em que trabalhava já há algum tempo.
A dedicação, as horas investidas tinham contribuído para criar uma ligação mais emocional com aquele projecto, por isso quando chegou o momento de ser confrontada com uma série de mudanças tive dificuldade em aceitá-las e fiquei a pensar, se
é legitimo “ligarmo-nos” assim a um projecto profissional?
“Põe quanto és no mínimo que fazes” já dizia Fernando Pessoa.
Lembro-me sempre dos artesãos, cada peça que fazem é como se fosse uma espécie de “filho” que depois é “adoptado” por quem o compra.
Cada peça tem características que a fazem única aos olhos do seu criador e a magia está no facto de terem “vidas” diferentes e um dia elas lhe sobreviverem.
Mesmo não “criando” peças como chapéus, quadros, esculturas, tento aplicar esta máxima no meu trabalho.
Acredito que quando colocamos o melhor de nós nas coisas que fazemos, tornamo-las especiais.
Acho que hoje em dia trabalhamos muito em “modo standart” ou “copy / paste”, não só porque assim é mais rápido, mas também corremos menos riscos e o sucesso é quase garantido.
Eu acho que o modo “copy/paste” é demasiado rotineiro. Se tenho tempo e se é uma coisa importante gosto de começar do zero e se for preciso refaço-a 10, 20 vezes até ficar única e diferente.
É claro que muitas vezes tenho a sensação de estar a construir um castelo de areia numa praia sobrelotada… a qualquer momento pode vir alguém e pôr-lhe um pé em cima…
But, that’s life!